domingo, 8 de novembro de 2026

Ídolo ao pôr-do-Sol

 



Encontrado nas margens do estuário da ria de Alvor,
este ídolo pré-histórico - achado inédito - seria
consagrado ao ritual do pôr-do-Sol. 
 
 
 
 Afeiçoada há milénios por mão humana, esta rocha "cortada" em semi-círculo, pretenderia representar o ocaso do astro-rei a mergulhar gradualmente no horizonte oceânico. Tal como se pode ver em qualquer dia de verão em zonas costeiras do barlavento Algarvio. Momento simbólico muito apreciado principalmente no Cabo de S. Vicento (Promontório Sagrado de onde Sagres tirou o nome).
 
 

 
 Pensa-se que os Cónios ou Cinetes, povo indígena pré-romano da região, usaria estes ídolos de pedra, símbolo central das suas cerimónias, em ocasiões propícias do ano, entre equinócios, principalmente no Verão. Acto consagrado não só por eles, como presenciado por aqueles que em peregrinação única se deslocavam dos mais recôndidos lugares da Europa para em conjunto comungarem uma experiência espiritual única, no fim do mundo conhecido.
 
Chamaram-lhe  Promontorium Sacrum, designação latina registada por autores romanos como Plínio, o Velho, refletindo a ancestral crença de que o local era um santuário natural onde os deuses se reuniam à noite naquela Finis Terrae e onde se prestava culto a Saturno ou Hércules. Algo que já aconteceria muito antes da presença dos romanos na zona.
 
É possível que na Kanisat al-Gurab / Igreja do Corvo (Período Islâmico e Idade Média): Nome dado ao santuário moçárabe que existiu na zona entre os séculos VIII e XII para guardar as relíquias do mártir São Vicente, vigiadas por corvos segundo a lenda, ainda se usassem estas pedras-ídolo, pelos enigmáticos "Monges Negros" que da antiga igreja cuidavam.
 
Perto do local onde o ídolo de pedra foi encontrado (Alvor, antiga Ipses) há vestígios de terem sido praticados cerimoniais ancestrais tal como em Ferragudo na chamada Ponta do Altar, onde a sua posição permite visualizar o referido pôr-do-Sol. Ainda há poucos anos se viam as lages conhecidas por "Aras" ou altares, no interior de pequenas grutas abertas na falésia, viradas ao mar, hoje desaparecidas.
 
 
"Ponta do Altar" (Ferragudo) tendo como fundo a cidade de Portimão 
 
Pode ser até que esta pedra-ídolo tenha vindo de um destes "templos" pré-históricos.
 
 
 



Em ambos os lados é possível notar o friso ou moldura esculpidos
para conterem símbolos ou marcas hoje desaparecidas,
corroídas pela acção do tempo.