domingo, 8 de novembro de 2026
Ídolo ao pôr-do-Sol
sábado, 19 de setembro de 2026
Os hipogeus de Monte Canelas (Alcalar)
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| Esqueletos humanos petreficados ao longo de milénios (Alcalar) |
Hipogeu: gruta artificial onde se faziam
enterramentos colectivos há mais de 4.000 anos.
Não vou aqui entrar em pormenores técnicos sobre arqueologia ou antropologia. Isso deixo para os 'especialistas' que estudaram, remexeram, escreveram teses sobre o assunto e depois deixaram o achado ao completo abandono. Para esta gente o que importa é a manchete do momento e o prestígio que se adquire. Quanto ao vestígio arqueológico, esse, já não faz falta; pode seguir no camião do lixo da História. Que se lixe!
Assim tem sido tratado o património histórico do Algarve.
| Local onde se achou o túmulo colectivo |
Monte Canelas está na 'periferia' da área conhecida como uma das maiores e mais importantes necrópoles do Calcolítico da Península Ibérica, hoje completamente destruída: falo da necrópole de Alcalar, no município de Portimão. Dos cerca de vinte túmulos pré-históricos conhecidos (haverá mais), apenas dois se encontram intervencionados e visitáveis. Os restantes jazem sob os alicerces das vivendas ali ilegalmente construídas com a cumplicidade camarária, onde o turismo selvagem e a ditadura do betão ditam as regras.
| Pormenor da configuração dupla do hipogeu, já ao abandono. |
Nas décadas de 1980 e 90 documentei o sítio e as intervenções ali feitas onde já se previa, entre movimentações e ocultações por parte das 'entidades oficiais', a urgência de fazer desaparecer estas evidências arqueológicas, o mais rápido possível, a fim dos terrenos ficarem disponíveis para a expansão urbanística, clamando prioridades e direitos de construção, numa área classificada de Monumento Nacional.
| Ainda iniciaram escavações complementares mas ficaram por aí... |
| Entretanto chegou o "progresso" |
| Ficaram os 'restos' abandonados e entulhados de pedras, ervas e lixo |
Agora a pergunta incómoda: com tanto terreno municipal ainda disponível. havia alguma necessidade de ocupar e destruir este património, testemunho tão importante para a história da cidade de Portimão, para se construir esta espécie de 'feudos'; exibicionismos de riqueza exterior, que no fundo nada têm a ver com o turismo de massas que grassa pela zona costeira? É que este lugar é interior, isolado e (des)protegido pela lei permissiva que, nestas questões, teima em assobiar para o lado perante os abusos. Saberão, certamente, os ocupantes deste aldeamento moderno, que profanam uma necrópole milenar.
Dá-lhes estatuto? Dá-lhes gozo? ...sinceramente!
quinta-feira, 9 de julho de 2026
A necrópole de Alcalar
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| Vista aérea dos Monumentos de Alcalar |
O antigo complexo de Alcalar incluía um povoado e uma necrópole, formada por vários túmulos megalíticos, organizados em vários grupos. Os monumentos funerários foram construídos em grés, tendo o arqueólogo Estácio da Veiga avançado a hipótese que a pedra terá sido extraída da área dos Pegos Verdes, onde se encontrava um conjunto significativo de afloramentos daquele material.
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| Apesar de exteriormente ter o aspecto de 'mamoa', interiormente estes monumentos assemelhavam-se a um 'útero' humano. |
A zona populacional de Alcalar estava localizada numa colina perto do local dos túmulos, consistindo num conjunto de estruturas, como edifícios e silos, parcialmente escavados no solo, sendo por isso categorizada como Recinto de fossos. Além destes conjuntos de fossos, também foram descobertas estruturas de combustão, e casas de planta semi-circular, com fundações em alvenaria. Neste local foi recolhido um vasto conjunto de espólio, incluindo vestígios de animais, como conchas, peças em pedra polida, e recipientes em cerâmica, o que, em conjunto com as estruturas, testemunha a presença de um povoado neste local, que terá funcionado durante um longo período, entre 3800 a 2000 a.C.
sexta-feira, 25 de julho de 2025
rio Arate
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| Estela do Arade |
O rio Arade que banha a cidade de Portimão e que banhou em tempos Maenoba (posteriormente Portus Hanibalis e Portus Magnus) é na verdade um estuário cujas águas oceânicas fazem sentir o efeito das marés até às ribeiras de Odelouca e Boina (seus afluentes), inclusivé à cidade de Silves. É a montante de Silves que chegam as águas da ribeira, com o seu nome, que colecta desde a nascente, na Serra do Caldeirão.
Desconhecia-se a antiguidade efectiva do seu nome até que há uns anos foi descoberta a "estela do Arade" no lugar da Companheira, muito perto das grutas onde está a ETAR. Foi encontrada junto a um velho poço, oculta nas silvas, meio enterrada na vertical.
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| Local da Companheira onde a estela foi encontrada, na margem do rio Arade |
Trata-se de uma estela com inscrições do tipo 'escrita do sudoeste' que alguns presumem ter sido a "mãe" de todas as escritas. Não discutiremos isso aqui. Vamos só tentar traduzir os seus caracteres seguindo os estudos epigráficos que nos dizem que esta escrita se deve lêr da direita para a esquerda (e de baixo para cima).
1º e 3º caracter A_A__
2º caracter ARA__
4º caracter ARAT_
5º caracter ARATE
Arate, o nome do nosso rio Arade cuja origem pode afinal vir das profundezas do tempo. Os epigrafistas dizem que será tão antigo como do século XXX/XXV a.C. Talvez mais... Acrescente-se como curiosidade o símbolo do próprio rio que se pode ver por cima nas duas linhas onduladas. Curiosas também, as três covinhas ao seu lado a quererem dizer-nos qualquer coisa.
Será que são as suas três cidades Ipsa, Maenoba e Cilibe?
Alvor, Portimão e Silves?
quinta-feira, 24 de julho de 2025
cidade de Mainoba
... de Onoba a Máinoba [ ] ...Desta até à cidade de Ipsa, 24 estádios. Desta no estuário do A[rade] em linha recta até ao ponto em que se situa a cidade de Cilibe, 70 estádios. Da foz do Anas à extremidade do Promontório Sacro são 992 estádios.
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| Papiro de Artemidoro |
Assim descreve o papiro, reutilizado um século depois do registo do seu autor o geógrafo grego Artemidoro de Éfeso que viveu no século II antes de cristo e que nessa altura viajou pela costa Algarvia tendo descrito localidades e distâncias marítimas entre elas.
Orientando-nos pela medida do stadia grego que vale 177 metros, teremos:
... de Onoba (Huelva) a Máinoba (Portimão) [ ] - a distância marítima é de 1.073 estádios (190 Kms). Esta distância não nos é indicada no papiro.
Desta (Máinoba) a Ipsa (vila de Alvor), - a distância marítima é de cerca de 28 estádios (5 Kms). Não muito longe dos 24 estádios do papiro.
De Máinoba (foz do rio Arade/Ponta da Areia) até Cilibe (Silves/Rocha Branca) subindo pelo rio - são cerca de 74 estádios (13 Kms). No fraseado do papiro nota-se que Cilibe se situa afastada da costa, e que os 70 estádios correspondem na realidade à distância marítima entre a foz do Rio Arade e o povoado da Rocha Branca, no fundo Norte do estuário do Arade. Este povoado que teve ocupação desde a Idade do Ferro até à época medieval islâmica, fica situado numa pequena elevação perto do Rio Arade, a cerca de 1 km da cidade de Silves. Acredita-se que tenha sido um entreposto comercial, possivelmente de origem fenício-púnica.
E resumindo, para tudo enquadrar:
Da foz do Ana (rio Guadiana) ao Promontório Sacro (Sagres/Cabo de S. Vicente) - a distância marítima acompanhando a costa é de cerca de 960 estádios (170 Kms). Muito próximo dos 992 estádios do papiro.
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| A Ponta da Areia que deu lugar à marina. Neste local existiu uma antiga cidade: Maenoba |
Portimão teve assim, aos seus pés e em tempos remotos, uma cidade portuária chamada Maenoba, possivelmente de fundação cúnea, grega ou fenícia que desapareceu, estando com toda a probabilidade sepultada na zona entre a marina e o convento de S. Francisco. Mas antes de ser engolida pelas catástrofes naturais que se abateram sobre ela, ainda foi de cartagineses (Portus Hanibalis) e de romanos (Portus Magnus). Mas isso veremos depois...
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| Artemidoro de Éfeso |
sábado, 7 de junho de 2025
Serra, mar, história e muito sol
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| Rio Arade. No seu leito ainda repousam os testemunhos de povos e culturas milenares. |
Benvindos a "Barlavento - Serra Mar Sol e História", o blogue que pretende dar a conhecer a riqueza do Barlavento Algarvio, as suas gentes e tradições, os seus secretos recantos, o seu património histórico e, principalmente, a beleza das suas praias Atlânticas.





















