"Os Monumentos Megalíticos de Alcalar eram um grupo de túmulos que compunham uma necrópole que se supõe do período Calcolítico ou anterior, localizada na freguesia da Mexilhoeira Grande, município de Portimão. Foram construídos por uma comunidade que habitou a área por volta dos quarto e terceiro milénios a.C., e que atingiu uma grande complexidade, devido à riqueza natural daquela área. O conjunto arqueológico era formado por cerca de vinte túmulos, além de uma povoação e cinco outros túmulos periféricos. Uns foram destruídos, outros estão em mau estado de conservação. Apenas dois dos monumentos funerários, o sétimo e o nono, foram restaurados e inseridos num percurso de visita, que inclui também um centro interpretativo."
O sítio arqueológico de Alcalar está situado perto da vila da Mexilhoeira Grande, e a cerca de 9 Km da cidade de Portimão. Insere-se numa área que vai desde a Serra de Monchique a Norte, até à Baía de Lagos a Sul, e que no período pré-histórico dispunha de um vasto conjunto de recursos naturais, como o conjunto lagunar da Ria de Alvor, e as ribeiras da Torre, Farelo e Arão, permitindo a realização de diversas actividades, como a pastorícia, a caça, a pesca, a agricultura e a recolha de moluscos. O topónimo do local, Alcalar ou Alcalá, é de origem muçulmana, desconhecendo-se o nome original.
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| Vista aérea dos Monumentos de Alcalar |
O antigo complexo de Alcalar incluía um povoado e uma necrópole, formada por vários túmulos megalíticos, organizados em vários grupos. Os monumentos funerários foram construídos em grés, tendo o arqueólogo Estácio da Veiga avançado a hipótese que a pedra terá sido extraída da área dos Pegos Verdes, onde se encontrava um conjunto significativo de afloramentos daquele material.
Ambos os monumentos 7 e 9 têm uma forma aproximada de seio, levando à sua classificação como mamoas. Esta forma, em conjunto com a sua construção num local elevado, poderia servir para serem mais facilmente vistas ao longe, tornando-as como símbolo de poder por parte da povoação que os edificou, e que ficava situada numa colina próxima.
Devido à sua construção, em grandes blocos de pedra, tanto o sétimo como o nono túmulos são considerados como monumentos megalíticos. Os túmulos era utilizados apenas para os corpos dos indivíduos mais influentes no povoado, sendo a restante população enterrada noutro local. Isto é comprovado pelos adornos dos corpos nos interiores dos túmulos, em marfim, âmbar, cobre, ouro e pedras verdes, materiais que em certos casos tinham de ser importados de longas distâncias.
A zona populacional de Alcalar estava localizada numa colina perto do local dos túmulos, consistindo num conjunto de estruturas, como edifícios e silos, parcialmente escavados no solo, sendo por isso categorizada como Recinto de fossos. Além destes conjuntos de fossos, também foram descobertas estruturas de combustão, e casas de planta semi-circular, com fundações em alvenaria. Neste local foi recolhido um vasto conjunto de espólio, incluindo vestígios de animais, como conchas, peças em pedra polida, e recipientes em cerâmica, o que, em conjunto com as estruturas, testemunha a presença de um povoado neste local, que terá funcionado durante um longo período, entre 3800 a 2000 a.C.




